Nutrologia
Vitaminas e nutrientes: por que a reposição é essencial durante o emagrecimento?
Reduzir o aporte calórico exige atenção redobrada com micronutrientes — sob risco de cansaço, queda de cabelo e perda muscular.
MAIO DE 2026

Durante o processo de emagrecimento — especialmente quando associado a medicações que reduzem o apetite, como análogos de GLP-1 e tirzepatida — o volume total de alimentos ingeridos diminui de forma significativa. Embora isso seja desejável para o balanço energético, traz um risco frequentemente subestimado: deficiências silenciosas de vitaminas, minerais e proteína, que comprometem a energia, a imunidade, a qualidade do sono, a saúde dos cabelos e a preservação muscular.
Por que micronutrientes ficam em déficit
A maioria das vitaminas e minerais é obtida pela densidade nutricional dos alimentos. Quando o paciente come metade do volume habitual, a probabilidade de não atingir as recomendações diárias é alta — mesmo com escolhas saudáveis. Soma-se a isso a maior demanda metabólica gerada por treinos de força, que consomem mais magnésio, zinco, ferro, vitaminas do complexo B e proteína.
Os nutrientes mais críticos no emagrecimento
- Proteína: 1,2 a 2,0 g/kg/dia para preservar massa magra; pacientes em uso de GLP-1 frequentemente precisam de suporte com whey protein.
- Vitamina D: regula imunidade, humor, saúde óssea e sensibilidade à insulina; meta laboratorial geralmente entre 40 e 60 ng/mL.
- Vitamina B12: essencial para energia, hematopoiese e sistema nervoso; risco aumentado em vegetarianos, idosos e usuários crônicos de metformina ou inibidores de bomba de prótons.
- Ferro: previne anemia, queda de cabelo, fadiga e queda de desempenho — particularmente importante em mulheres com ciclo menstrual.
- Magnésio: cofator de mais de 300 reações enzimáticas; relacionado a sono, função muscular, controle glicêmico e pressão arterial.
- Zinco: imunidade, cicatrização, paladar (importante quando há náusea) e produção hormonal.
- Ômega 3 (EPA + DHA): efeito anti-inflamatório, suporte cardiovascular, cognitivo e hepático.
- Cálcio e vitamina K2: saúde óssea, especialmente em mulheres na perimenopausa.
Como saber o que repor — e em que dose
A suplementação ideal é sempre baseada em exames laboratoriais (hemograma, ferritina, saturação de transferrina, vitamina D, B12, homocisteína, zinco, magnésio eritrocitário, perfil tireoidiano, entre outros) e na avaliação clínica. Doses inadequadas — tanto por falta quanto por excesso — não trazem benefício e podem causar efeitos adversos: hipervitaminose A, sobrecarga de ferro, toxicidade por selênio, alterações de função tireoidiana por excesso de iodo, entre outros.
Reavaliação periódica
Recomendo exames de controle a cada 3 a 6 meses durante a fase ativa do emagrecimento. À medida que o peso, a alimentação e o ritmo de treino mudam, as necessidades também mudam — e a estratégia precisa ser ajustada. Suplementar sem rever exames é tão problemático quanto não suplementar quando há deficiência.
O cuidado vai além do nutriente isolado
Sono adequado, exposição solar segura, atividade física regular, microbiota intestinal saudável e manejo do estresse são tão importantes quanto o suplemento. Tratar a paciente — e não apenas o exame — é o que diferencia um plano nutrológico bem feito.


