Saúde óssea
Osteoporose: prevenção, novos medicamentos e avanços no tratamento
Entenda o que é osteoporose, quais são os principais riscos, como prevenir perda óssea e conheça os avanços recentes no tratamento, incluindo novas medicações.
JULHO DE 2026

A osteoporose é uma doença metabólica óssea caracterizada pela redução da massa mineral óssea e pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. O resultado é um osso mais frágil, com maior susceptibilidade a fraturas, especialmente de quadril, coluna vertebral e punho. A Organização Mundial da Saúde define osteoporose quando o T-score da densitometria óssea é igual ou inferior a -2,5 desvios-padrão. Estima-se que a doença acometa cerca de 200 milhões de mulheres no mundo, e uma em cada três mulheres acima de 50 anos e um em cada cinco homens terão pelo menos uma fratura por fragilidade óssea ao longo da vida.
Riscos e quem deve se preocupar
A osteoporose é frequentemente silenciosa até que uma fratura ocorra. Os principais fatores de risco incluem idade avançada, sexo feminino, menopausa precoce, histórico familiar de fraturas, baixo peso corporal, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, uso prolongado de corticoides, doenças endócrinas (hipotireoidismo, hiperparatireoidismo) e condições que prejudicam a absorção intestinal (doença celíaca, doença inflamatória intestinal). A osteoporose secundária, causada por medicamentos ou doenças, pode ser subdiagnosticada e deve sempre ser investigada, especialmente em homens e em mulheres pré-menopausa com baixa massa óssea.
A base da prevenção: estilo de vida e nutrientes
A prevenção da osteoporose começa na infância e adolescência, quando o pico de massa óssea é alcançado, mas medidas ao longo da vida são capazes de reduzir significativamente o risco de fraturas. O estilo de vida é a primeira e mais importante ferramenta. A atividade física, especialmente exercícios de impacto e treino de força, estimula a formação óssea e melhora o equilíbrio, reduzindo quedas. A exposição solar adequada, a dieta balanceada e a suspensão do tabagismo e do álcool exagerado também são pilares fundamentais.
- Ingestão adequada de cálcio: 1.000 a 1.200 mg/dia na maioria dos adultos, preferencialmente via alimentos.
- Vitamina D: 800 a 2.000 UI/dia na maioria dos adultos, com ajuste conforme níveis séricos de 25(OH)D.
- Exercícios de impacto e treino de força pelo menos 2 a 3 vezes por semana.
- Avaliação de risco de quedas e correção de problemas de visão, equilíbrio e medicamentos hipotensores.
- Evitar tabagismo e limitar o consumo de álcool.
Cálcio e vitamina D: ainda a base
Cálcio e vitamina D são essenciais para a homeostase óssea. A vitamina D promove a absorção intestinal de cálcio e regula a reabsorção óssea, enquanto o cálcio fornece o substrato mineral para a mineralização óssea. Estudos mostram que a suplementação combinada reduz a perda óssea e o risco de fraturas em idosos institucionalizados, embora o efeito seja mais modesto em comunidades com boa nutrição. A recomendação atual é priorizar a alimentação (laticínios, vegetais folhosos, sardinhas) e usar suplementos quando a ingestão alimentar for insuficiente ou quando houver deficiência documentada de vitamina D.
Medicamentos tradicionais no tratamento
Quando a osteoporose já está estabelecida ou o risco de fratura é alto, a medicação se torna necessária. Os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato, ácido zoledrônico) são a primeira linha de tratamento em grande parte dos casos. Eles inibem os osteoclastos, células que reabsorvem o osso, reduzindo a perda óssea e o risco de fraturas vertebrais e de quadril. Outras opções incluem o ranelato de estrôncio, o denosumabe (anticorpo anti-RANKL, aplicado a cada 6 meses) e terapia hormonal, especialmente na mulher no início da menopausa com sintomas vasomotores.
Os avanços: novos medicamentos para osteoporose
Nos últimos anos, a osteoporose ganhou opções terapêuticas mais potentes e com mecanismos inovadores. Os principais destaques são os agentes anabólicos, que não apenas impedem a perda óssea, mas realmente estimulam a formação de osso novo. O teriparatida e o abaloparatida são análogos do PTH (paratormônio) que aumentam a densidade óssea e reduzem fraturas vertebrais. Mais recentemente, o romosozumabe, um anticorpo monoclonal que inibe a proteína sclerostina, demonstrou aumentos rápidos e expressivos da densidade mineral óssea, ao mesmo tempo em que reduz a reabsorção. O estudo FRAME publicado no Journal of Bone and Mineral Research mostrou que o romosozumabe reduziu fraturas vertebrais em aproximadamente 73% em comparação com placebo.
Outro avanço importante é o uso sequencial de medicamentos. A estratégia anabólico-anticatabólica — por exemplo, iniciar com romosozumabe por 12 meses e depois transicionar para um bisfosfonato ou denosumabe — demonstra resultados superiores à manutenção isolada com antirreabsortivos. O estudo ARCH comparou romosozumabe seguido de alendronato versus alendronato isolado e mostrou redução adicional de fraturas vertebrais e não vertebrais no grupo sequencial. Essa abordagem representa uma mudança de paradigma: em vez de apenas conservar o osso restante, reconstruir o osso perdido e depois proteger o ganho obtido.
Pessoas que se beneficiam dos tratamentos modernos
Os anabólicos e o romosozumabe são especialmente indicados para pacientes com osteoporose de alto risco, múltiplas fraturas vertebrais, fraturas por fragilidade enquanto em uso de bisfosfonato, ou aqueles com risco cardiovascular que precisam de ganho ósseo rápido. A escolha do medicamento considera idade, densitometria, histórico de fraturas, comorbidades, tolerância e acessibilidade. É importante lembrar que o denosumabe não deve ser interrompido sem um bisfosfonato sequencial, pois pode ocorrer rebound de fraturas vertebrais múltiplas após a suspensão.
A importância do acompanhamento especializado
O tratamento da osteoporose exige avaliação endocrinológica ou reumatológica periódica. A densitometria óssea deve ser repetida a cada 1 a 2 anos para monitorar a resposta, e a reposição de cálcio e vitamina D precisa ser ajustada conforme exames laboratoriais. A manutenção de massa muscular, a prevenção de quedas e o controle de doenças associadas são tão importantes quanto a medicação. O uso de medicamentos sem indicação ou a automedicação com altas doses de cálcio e vitamina D podem trazer riscos, como nefrolitíase e hipercalcemia.
Conclusão
A osteoporose é uma doença prevenível e tratável, mas que exige atenção desde a construção da massa óssea na juventude até o manejo de alto risco na idade avançada. A combinação de cálcio, vitamina D, exercícios, abandono de tabagismo e, quando necessário, medicação, reduz drasticamente o risco de fraturas. Os avanços recentes, como os anabólicos e o romosozumabe, oferecem a possibilidade de reconstruir o osso de forma mais efetiva. O acompanhamento médico individualizado é essencial para escolher a melhor estratégia e garantir resultados seguros e duradouros.


