Tratamento da obesidade
Ozempic versus Mounjaro: conheça as diferenças
Dois dos medicamentos mais comentados do momento. Entenda como agem, em que se parecem e onde se diferenciam.
JUNHO DE 2026

Ozempic e Mounjaro são, hoje, os nomes mais comentados quando o assunto é tratamento farmacológico do diabetes tipo 2 e da obesidade. Embora pertençam à mesma família — as chamadas terapias baseadas em incretinas — e tenham mecanismos parecidos, são moléculas diferentes, com perfis de eficácia, efeitos colaterais e indicações distintas. Compreender essas diferenças é fundamental para uma escolha terapêutica segura e personalizada.
O que cada um é, do ponto de vista farmacológico
Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um análogo do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Atua em um único receptor — o de GLP-1 —, aumentando a saciedade, retardando o esvaziamento gástrico, estimulando a secreção de insulina dependente de glicose e reduzindo a produção hepática de glicose. A mesma molécula, em doses maiores, é comercializada como Wegovy para o tratamento da obesidade.
Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um duplo agonista que ativa simultaneamente os receptores de GLP-1 e de GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). Essa ação dupla amplifica a saciedade e a melhora da sensibilidade à insulina. A mesma molécula, em apresentação dirigida à obesidade, é comercializada como Zepbound.
Eficácia: o que dizem os estudos
- Semaglutida (estudo STEP-1, NEJM 2021): perda média de 14,9% do peso em 68 semanas com dose de 2,4 mg/semana.
- Tirzepatida (estudo SURMOUNT-1, NEJM 2022): perda média de 20,9% em 72 semanas com dose de 15 mg/semana.
- Comparação direta (estudo SURMOUNT-5, 2024): tirzepatida superou a semaglutida em redução de peso (20,2% vs 13,7% em 72 semanas) em adultos com obesidade sem diabetes.
- No diabetes tipo 2 (SURPASS-2): tirzepatida reduziu mais a hemoglobina glicada e o peso do que semaglutida 1 mg.
Diferenças práticas no dia a dia
- Aplicação: ambos são injeções subcutâneas semanais (abdome, coxa ou braço).
- Titulação: ambos exigem aumento gradual da dose ao longo de semanas para reduzir efeitos gastrointestinais.
- Efeitos adversos: o perfil é semelhante (náusea, plenitude, constipação ou diarreia); a tirzepatida tende a causar maior perda de peso e, em alguns pacientes, sintomas digestivos um pouco mais intensos nas fases iniciais.
- Benefícios extras: a semaglutida tem evidência mais consolidada de redução de eventos cardiovasculares (estudos SUSTAIN-6 e SELECT); a tirzepatida tem dados crescentes em apneia do sono, esteatohepatite e função renal.
- Disponibilidade e custo: variam conforme apresentação, dose e país; ambos são medicamentos de alto custo no Brasil.
Como escolher entre os dois
A escolha nunca se baseia apenas em 'qual emagrece mais'. Avaliamos diagnóstico (diabetes, pré-diabetes, obesidade, comorbidades), idade, histórico cardiovascular, função renal e hepática, uso de outras medicações, tolerância gastrointestinal prévia, expectativas, custo e acesso. Em alguns casos, faz mais sentido começar com semaglutida e escalar; em outros, iniciar diretamente com tirzepatida.
Contraindicações e cuidados (comuns a ambos)
- Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
- Pancreatite prévia.
- Gestação e amamentação.
- Cuidado em gastroparesia, doença biliar e em pacientes com risco de desidratação.
O ponto que mais importa
Tanto Ozempic quanto Mounjaro são ferramentas extraordinárias quando usadas dentro de um plano de tratamento estruturado: alimentação adequada em proteínas, treino de força, sono, manejo do estresse e acompanhamento médico regular. Sem essa base, nenhuma medicação entrega resultado sustentável — e o risco de reganho após a suspensão é alto. A medicação é parte da estratégia, não a estratégia inteira.


